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skate 1988

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Muito antes das medalhas olímpicas, o skate já enfrentava suas próprias batalhas. E muitas delas continuam até hoje.

A história do skate é marcada por resistência, preconceito e uma busca constante por liberdade. Muito além das manobras, o skate nasceu como uma forma de expressão, transformando ruas e espaços urbanos em lugares de criatividade, identidade e pertencimento.

Mas ocupar esses espaços nunca foi tão simples.

Manifestação de skatistas em 88 contra a proibição de andar de skate nas ruas em SP

No Brasil, o skate já foi associado à marginalidade e à desordem. Em 1988, chegou a ser proibido nas ruas de São Paulo. Em outros lugares do mundo, a história não foi muito diferente.

Nos Estados Unidos, skatistas enfrentaram proibições, multas e repressão policial em espaços públicos. Na Inglaterra, leis restringiram a prática em determinadas áreas urbanas. O que para muitos era apenas um esporte, para outros representava uma ameaça à ordem estabelecida.

Em países como o Afeganistão, a luta ganha outra dimensão. Projetos como o Skateistan utilizam o skate como ferramenta de educação e inclusão, especialmente para meninas que enfrentam profundas barreiras sociais e culturais.

Mulheres: uma resistência dentro da resistência

Se o skate precisou lutar para conquistar respeito, as mulheres enfrentaram uma batalha ainda maior.

Durante décadas, precisaram desafiar o machismo, a falta de oportunidades e a ideia de que o skateboard era um universo exclusivamente masculino. A categoria teve uma aceitação e uma adesão de mulheres praticando em 2010, quando Leticia Bufoni ganhando muita visibilidade e ganhando eventos importantes mostrando nivel elevado.

A luta feminina sempre foi muito além das competições. É também pelo direito de ocupar as ruas, participar do mercado, criar marcas, produzir arte, trabalhar nos eventos e ser reconhecida como parte fundamental dessa cultura.

Hoje, o skate feminino conquista visibilidade mundial, mas essa evolução foi construída por gerações de mulheres que resistiram, muitas vezes sem apoio ou reconhecimento.

Leticia Bufoni e Rayssa Leal
Leticia Bufoni e Rayssa Leal nas Olimpiadas

 

HISTÓRIAS DE LUTA E RESISTÊNCIA NO BRASIL E NO MUNDO:

 Skate proibido no Brasil 1988: quando andar de skate virou um ato de resistência

manifestacão de skatistas em 1988- SP

Em São Paulo, a luta pelo direito de andar de skate marcou a história de uma geração. Em 1988, durante a gestão de Jânio Quadros, a prática foi proibida no Parque do Ibirapuera e, posteriormente, em toda a cidade.

 

A resposta veio das ruas. Cerca de 200 skatistas participaram de uma manifestação, levando faixas e um abaixo-assinado com mais de 6 mil assinaturas. Entre os envolvidos na mobilização estava Márcio Tanabe, um dos organizadores do protesto.

Luiza Erundina
Luiza Erundina- 1989

A resistência ganhou força e encontrou apoio em Luiza Erundina, que, ao assumir a Prefeitura em 1989, revogou a proibição e passou a incentivar a prática do skate.

Foi uma conquista coletiva que mostrou a força de uma comunidade disposta a lutar por seu espaço.

Décadas antes de ser celebrado nos Jogos Olímpicos, o skate brasileiro já mostrava que sua maior conquista era a liberdade.

 

Como a união de skatistas salvou pico classico no Centro de SP- Anhangabaú

Salve o Vale! Manifestação dos skatistas na frente da Prefeitura de SP

 Mais uma conquista que entrou para a história do skate.
Em 2019, teve início um projeto de revitalização do local, que poderia condenar todo o pico emblemático da história do
skate brasileiro. Antes de ser derrubado, skatistas se uniram e lutaram por um espaço digno para a demanda de praticantes.

Memorial do Vale construído com as mesmas pedras do antigo projeto

 Inicialmente, a proposta da Prefeitura se resumiu à substituição do clássico monumento composto de arquibancadas por uma pista padrão, com rampas e corrimões. Cientes da possível tragédia, os amantes do spot criaram o movimento Salve o Vale!, criando soluções pra atender da melhor forma às necessidades do skate e da cidade. A partir disso, nasceu a ideia da construção de um memorial “skatável”.
Ref. Red Bull


Resistência em outros lugares do mundo:

1. Afeganistão — O skate como ferramenta de liberdade feminina

O Skateistan nasceu em Cabul, em 2008, utilizando o skateboard para promover educação, inclusão e oportunidades para crianças, principalmente meninas.

meninas no Afeganistão no projeto Skateistan

Em um país marcado por conflitos e severas restrições aos direitos das mulheres, o projeto criou espaços protegidos onde meninas puderam aprender, brincar e desenvolver autonomia.

O exemplo mostra como o skate pode representar muito mais que uma atividade esportiva: pode ser uma forma de resistência à exclusão. É importante distinguir, porém, a repressão aos direitos femininos de uma proibição geral do skateboard.

(Ref. Skateistan )

2. Estados Unidos — A criminalização do skate nas ruas

Na Filadélfia, o famoso LOVE Park tornou-se símbolo de uma disputa entre skatistas e autoridades.

Nos anos 1990 e 2000, a prática foi proibida no local, provocando conflitos, multas e detenções. O espaço era reconhecido mundialmente pela cultura do skate, mas seus frequentadores eram frequentemente tratados como um problema urbano.

Os skatistas perderam esse pico classico – o Love Park

(Ref.Encyclopedia of Greater Philadelphia )

3. Inglaterra — Restrições e multas por andar de skate

Em Manchester, uma regulamentação aprovada em 2001 proibiu a prática do skate em determinadas áreas do centro da cidade.

O caso foi analisado em um estudo publicado no British Journal of Criminology, que discute como restrições urbanas podem transformar uma atividade cultural e esportiva em motivo de punição.
(Ref. OUP Academic )

4. Camboja e África do Sul — O skate contra a exclusão social

Nesses países, o Skateistan também desenvolve projetos que oferecem educação e acesso ao esporte para crianças em situação de vulnerabilidade.

O trabalho tem atenção especial às meninas e demonstra como o skateboard pode ajudar a enfrentar barreiras econômicas, sociais e de gênero.
 

A luta continua

O skateboard chegou aos Jogos Olímpicos, conquistou espaço na mídia e ganhou reconhecimento mundial.
Os pais procuram escolinhas de skate para seus filhos e muitos sonham em ganhar muito dinheiro com o skate. Mas isso não significa que todas as suas batalhas tenham terminado.

Ainda existem preconceitos, desigualdades, falta de incentivo e dificuldades para quem vive o skate fora dos grandes eventos e competições.

O skate não pode ser valorizado apenas pelas medalhas ou pelo mercado de competições que movimenta. É preciso reconhecer suas raízes, sua diversidade e as pessoas que mantêm essa cultura viva.

O skate é uma ferramenta de inclusão social, resgate da violência e das drogas, saúde mental e física dentro de muitos outros benefícios. A historia do skate existe para lembrar a gente dessas conquistas.

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