Category

skate & arte

Category

O selo SKATE VR traz nova geração de skatistas, artistas visuais e músicos da cena local de Volta Redonda – RJ. Continuando a história do Caos Vídeo, projeto audiovisual coletivo  e colaborativo nascido em 2005 na cidade, entrevistamos os produtores do vídeo e refletimos sobre o papel dos skatistas locais em manter a cultura do skate viva em sua cidade.  

Entrevista por: João Lucas Teixeira (@joaolucasrt @woarte)

Fotos por: Leonardo Avelino (@avelinophoto)

João – Eu sempre respeitei muito o skate em Volta Redonda, pela história,pelos eventos, pela produção videográfica e principalmente pelas pessoas envolvidas nisso tudo. Me reuni numa chamada de vídeo com Cadu Azevedo (@caduzevedo1 ), Dérick Vicente (@derick.vicente) Vinícius Salgado (@salgadovinicius) moradores de VR e Ramon Cândido (@ramoncandido) que é natural da cidade mas se mudou para os Estados Unidos recentemente, os  responsáveis pelas partes, edição e direção do projeto nos contam como foi o processo de criação e como é lançar um vídeo nesse momento de isolamento.

Pra quem não assistiu ainda, pegue um copo d’água e sente-se numa cadeira confortável e aproveite essa maravilha de vídeo:

Pergunta: Quem são os personagens do Caos Vídeo 3 que estão conosco hoje? se apresentem por favor.

Cadu – Eu sou Carlos Azevedo, skatista de volta redonda e estudante de cinema

Dérick – Dérick, skatista há uns 15 anos haha

Ramon – Eu sou imigrante e skatista hahaha

Vinicius – Eu sou vinicius, ando de skate e filmo skate.

Risadas e mais risadas <3 na ordem de cima pra baixo a esquerda pra direita, Cadu Azevedo, Dérick Vicente, Ramon Cândido e Vinícius Salgado

Pergunta um: Como foi o processo criativo do vídeo de vocês e de onde vem o nome Caos Skate?

Cadu- No início do início a gente sai pra andar e filmava. Um tempo depois a gente juntou pra fazer a parte do Derick, tava rendendo bastante. Foi muito engraçado porque depois que a gente terminou eu disse, pô, tem muita imagem lá em casa, Vinicius também, Ramon tinha uma parte pronta que não tinha sido lançada antes dele ir pros Estados Unidos.

Vinicius- Foi quando uniu tudo assim, a gente nem tinha um plano do projeto certinho e tal.

Cadu- Dá pra fazer um vídeo inteiro, com 3 parte e mais umas partes da galera. A parte do Ramon tava quase finalizada, a gente somou tudo e foi trabalhando em cima. 50% desse vídeo foi ao acaso assim, foi só acontecendo

Quando ainda dava pra aglomerar sem problemas. Da esquerda pra direita: Dérick, Vinícius, Cadu e Henrique Nunes.  Foto: Leonardo Avelino (@avelinophoto

Ramon- Na verdade, pela experiência e inteligência que nós temos, nada é por acaso, tudo aconteceu porque teve que acontecer, a ideia surgiu porque teve de surgir então tudo aconteceu como tinha que acontecer.

Cadu – Sobre o nome, Caos Skate, eu tinha conversado contigo um mês atrás, não tínhamos um nome ainda. Pensamos que seria legal colocar o nome do Caos Skate Video, primeiro porque a gente não tinha um nome muito bom e segundo porque o projeto do Caos nasceu aqui em Volta Redonda – RJ e são vídeos muito marcantes pra gente.

Vinícius – A gente foi influenciado diretamente pelos primeiros dois vídeos (2005 e 2008). A gente tava conversando sobre isso no começo do projeto, o Maurício (Nava, skatista profissional natural de Volta Redonda) falou que a gente ia fazer o Caos 3. Vamo sair pra gravar e juntar as imagens. Ele sempre dava essa ideia assim, e acabou que a gente fez mesmo.

Pergunta: Pelo que a gente tinha conversado, anteriormente, o final da pós-produção de vocês estava acontecendo quando a pandemia/isolamento começou. Como vocês lidaram com isso e como acham que isso afetou o projeto de vocês?

Vinicius- No último dia que a gente gravou/editou o vídeo, estávamos nós 3 (Cadu, Derick e Vinicius) e já sabendo que isso ia rolar, editamos o máximo possível mas faltou muita coisa. Ainda tinha que terminar as rotoscopias que eu fiz pra intro e créditos do vídeo e editar algumas coisas. Decidimos terminar tudo online por chamada de vídeo cada um no seu canto.

Cadu- O esqueleto do vídeo tava pronto quando começou o isolamento, aí ficamos refinando e reorganizando o vídeo em conjunto. O vídeo tinha 15 minutos no início, depois desse processo passou a ter 20 minutos. A organização do lançamento, onde lançar, como lançar, vai fazer premiere ou não vai, foi ainda mais demorada. Não digo que foi bom, porque estávamos determinados a fazer um evento, mas fez com que tivéssemos tempo pra pensar com muita calma nisso. Esse tempo que a gente ficou meio ocioso contribuiu pra que a parada fosse sendo modelada e andando em seu próprio ritmo.

PERGUNTA: Essa separação do isolamento, o Ramon nos Estados Unidos, cada um com seus projeto pessoais, como vocês se organizam pra trabalhar isso de maneira conjunta e como é continuar essa ideia coletiva do “Caos Skate” com uma nova galera encabeçando a ideia?

Ramon – É a mesma galera, mas outras pessoas do mesmo pessoal.

Cadu – É o mesmo nicho assim, sub galeras, dentro da galera tem as subgaleras hahah

Ramon – Agora todos juntos onlinemente assim hahaha

Vinicius – Todo esse momento que a gente tá vivendo e o nome do vídeo ser Caos tem tudo a ver assim.

Ramon- Espero que todos os integrantes dos Caos antigos (1 e 2) assistam e vejam e gostem da gente ter continuado a ideia. Não é porque outros integrantes não participaram que não vai ser maneiro e não vai ter um aprovação assim. O importante é a continuidade, nós somos essa geração de agora, a geração que vai continuar isso,  assim como vai vir a próxima e a próxima e elas vão continuar, temos que incentivar e apoiar porque o skate se constrói fazendo essas coisas.

Vinicius- E com todo esse momento que a gente tá vivendo e o nome do vídeo ser Caos tem tudo a ver, até pra soltar o vídeo agora e marcar esse momento.

Cadu- É uma perpetuação da história. Tirando o Rio de Janeiro (capital) eu não consigo pensar outra cidade no estado que tenha uma história tão longa e diversa no skate quanto Volta redonda.

Ramon- Nem só Rio no, no Brasil assim, a cidade foi uma das primeiras do Brasil a ter uma pista de skate.

Cadu- Tirando o nosso vídeo que vai sair agora, se você contar, tem uns 6 vídeos grandes de rua, todo esquematizado, com partes individuais e mais de 20 minutos. É um número muito grande em comparação ao tamanho da cidade e ainda mais com a cena hoje em dia, que é muito menor do que era uns 6 / 7 anos atrás.

Ramon – Eu to ansioso assim pra ver essa recepção. Tá sendo muito daora, acompanhar isso. Esses muleque aí, Vinicius, Cadu são mágicos. Daora de ter a ideia de continuar a coisa e se arriscar, sendo que já é uma coisa que já existe e todos que criaram esse nome não estão presentes na produção em si. A coisa é do skate, não é do projeto assim.

Magia do No Comply nos pés do Cadu Azevedo. Foto: Leonardo Avelino (@avelinophoto)

Cadu- É legal ter essa aprovação também. A galera assistiu, o Nava (Marcelo Nava, skatista profissional natural de Volta Redonda e um dos criadores dos dois projeto anteriores do Caos) se amarrou. Mandei pra ele meia noite, ele assistiu, se amarrou e depois 2 da manhã ele me manda mensagem “Assisti de novo, ficou muito foda!” hahahah nem tava finalizado ainda, mas ele já curtiu.

Vinicíus – Antes da gente decidir o nome, eu já tinha essa sensação que isso seria algo equivalente ao Caos 3, mas não sabia se o jeito que tava ia ser maneiro, ia funcionar assim com essa continuação. Aí a gente decidiu em fazer os créditos, as animações, pra dar esse amarrada no projeto e dar uma estética relacionada.

Pergunta: Conhecendo vocês, eu sei que são personalidades e estilos muito diferente de observar e performar com o skate. Cada uma das partes tem uma estética e escolhas que acho super ligadas a essa forma que vocês usam o skate no espaço. Como vocês pensaram nessa representação das personalidades de cada um e nessa ligação entre as partes dentro do vídeo?

Vinicius – A princípio o Dérick tinha mais imagem e a gente se juntou pra editar. As coisas foram se criando a partir disso.

Cadu- Cada parte mostra a identidade de alguém. A do Ramon tem trance como trilha, todo mundo que conhece ele, sabe que combina com ele. A parte do Dérick é cheia das ladeira, do rolê rápido mas conhecendo ele, você sabe que não pode ser um rock pesadíssimo, não combina com ele. Ele é uma pessoa calma que anda rápido, a gente queria encontrar uma trilha que acompanhasse essa sensação assim. Acabamos escolhendo um rock mais psicodélico viajado. A minha parte tem umas coisas em preto e branco, porque eu sou ligado com essa coisa do cinema e da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional, metalúrgica da cidade). Procuramos mostrar o máximo possível da cidade assim, Volta Redonda-centrista assim hahaha. E com isso, as únicas músicas que não são de artistas da cidade são a da minha parte e do Dérick. A primeira parte tem até música da lendária Speed Cream, do Maurício com o Dérick. A do Ramon é do Acidose que é skatista daqui, a Reverse da parte da galera e o Bowl Rider fecha nos créditos, que é skatista daqui também. Todo o ecosistema é daqui.

Quando o tema é versatilidade o grupo se aventura em todos os terrenos possíveis. Da esq. pra direita: Fs Disaster do  Ramon Cândido, Fakie Noseblunt Early Grab Drop do Dérick Vicente e Switch Bigspin do Cadu Azevedo em baixo. Fotos por: Leonardo Avelino (@avelinophoto)

PERGUNTA: O que vocês tem em mente pro futuro, o que será do Caos depois de vocês?

Cadu – Essa é uma pergunta difícil, eu acho que daqui pra frente querendo produzir mais vídeos, tô gostando mais de fazer os vídeo que de andar mesmo, direto eu nem lembro que tenho parte nesse hahaha Sobre o Caos eu não sei, espero que no futuro alguém daqui pegue essa ideia e continue. A gente não sabe muito sobre o futuro, os momentos são incertos, mas sobre o presente eu tenho uma perspectiva que esse vídeo que a gente tá lançando seja um respiro pro skate daqui de VR, que tá bem fraco assim em comparação com 5 anos atrás.

Dérick – Fraco não tá, tá segregado né.

Cadu – Tá fraco no sentido comercial, de mídia, de evento e tal. Tá num cenário bem frio assim, falta uma aquecida. O Caos sendo um projeto conhecido, que dá pra sair da cidade e ser mostrado em outros lugares, pode ser uma motivação pra movimentar e talvez dar um primeiro passo pra daqui alguns anos outras pessoas fazerem o mesmo.

Dérick – Eu acho que vai tomar uma proporção maior do que a gente tá pensando, vai ser um boom mesmo tá ligado? Aqui a galera tem muito potencial, mas tá todo mundo morgado, na mesma assim.

Vinícius – Como a gente não tinha um plano pra fazer o vídeo, fomos chamando a galera, o grupo no whatsapp foi crescendo e acabamos filmando com muita gente diferente. Daqui e de fora.

Não é só quem dá entrevista que faz o vídeo acontecer, àqueles que contribuíram, seu créditos!
Bs Crooked do Pedro Henrique Nem (@nemdabel) foto: Leonardo Avelino (@avelinophoto)
Boneless do Tiago Azevedo (@tiago.azevedo76) foto: Leonardo Avelino (@avelinophoto)

Cadu- Volta Redonda é um ovo mas tem um monte de crew diferente, acaba sendo muito diverso assim. Pode ser uma parada que unifique mesmo que não tenha todo mundo no vídeo, que acenda alguma coisa pra cidade voltar a andar mais firme junto. Talvez esteja sendo ambicioso demais, mas as coisas tem que acontecer pra isso progredir.

Vinicius – Se surtir o efeito do mesmo jeito que teve em mim quando eu assisti o Caos 2 vai ser muito legal. Eu consumia muita coisa de skate daqui quando comecei a andar e se tiver esse efeito em alguém eu acho que valeu a pena e que vai propagar da mesma forma.

Cadu – É isso né, contribuir de alguma forma na história da cidade e do skate na cidade.

Vinicius – O Cadu vai mudar de cidade, mas eu pretendo continuar filmando aqui e desenvolvendo essa mídia de skate aqui. 

Pergunta: Que novos projetos continuem a acontecer e que a cena daí só cresça! Obrigado vocês pela entrevista e  obrigado Leonardo Avelino pelas fotos, o vídeo tá muito bem feito e valeu muito a pena terem pegado esse projeto. Uma maneira coletiva e comunitária de produzir conteúdo de skate de qualidade hoje em dia!

Cadu – Obrigado pelo espaço e por procurarem a gente para a entrevista!

LEGENDA: poesia de Marcelo Teixeira (@marcelonugget) que abre o vídeo e fecha nossa entrevista

Estamos em tempos de expansão no skate feminino : fotógrafas, videomakers, jornalistas ou geradoras de conteúdos. O skate feminino, para crescer ainda mais, precisa de mulheres que não só andam de skate mas de mulheres que ajudam a fazer o skate acontecer. Os workshop que a Vans + The Skate Witches estão oferecendo é muito legal! São dicas bem legais para as meninas que querem crescer para essa parte da CULTURA e ajudar o skate feminino.
E é sempre legal sabermos da historia de onde vem certas culturas e projetar uma visão de ” pra onde iremos ou queremos ir”.
Segue um pouco da historia sobre o Zine e mais abaixo os workshop ( videos) bem legais com mulheres que entendem do assunto e os links para se inscrever e concorrer a premiações da Vans e ter o seu zine publicado!
Amee

Vocês sabem o que é um zine? Muito famoso na década de 70, 80 e 90 focado em seguimentos específicos e sempre expondo pensamentos, artes e notícias o zine ( ou fanzine) era em formato de revistinha, preto e branco ( xerox e colagem) as vezes em papel sulfite branco ou papel sulfite colorido. Eram distribuídos em eventos, shows, campeonatos de skate ou enviado por correios. Era uma forma de expressar e de estar por dentro no que acontecia no mundo do skate, no mundo da música, da arte, das ruas nas décadas onde não existia a internet.

Um zine é um trabalho auto-publicado de pequena circulação de textos e imagens originais ou apropriados, geralmente reproduzidos por fotocopiadora. Os zines são o produto de uma única pessoa ou de um grupo muito pequeno e são popularmente fotocopiados em impressões físicas para circulação. 

Wickipédia

Teve seu início na década de 1930, nos Estados Unidos, para denominar revistas produzidas por aficionados por ficção científica, gênero literário que ainda não encontrava espaço nas publicações do circuito comercial. A palavra vem da contração das palavras de língua inglesa fanatic – fã – e magazine – revista”. Possivelmente, o primeiro fanzine foi o The Comet, feito por Ray A. Palmer e lançado em 1930. Mas há outros candidatos como o Cosmic Stories. Produzido por um cara chamado Jerry Siegel que, ao ter suas histórias em quadrinhos recusadas pelas grandes revistas da época, resolveu publicá-las por sua conta, ainda que de maneira precária. A primeira edição teria saído em 1929. Alguns anos depois, Siegel criaria (junto com Joe Shuster) um personagem chamado Superman, o que dispensa comentários.

Zine The Comet – decada de 30/40
Zine The Fancient

Aqui no Brasil teve muitas, uma foi bem importante pra o skate feminino : o zine C.I.O. (Check It Out) que falava de moda, skate feminino, entrevistas e de campeonatos. O zine que mais tarde virou revista inspirou muitas meninas a andar de skate além de manter-las informadas sobre o movimento feminino.

Zine Cio 90/2000 – arquivo Skate Feminino Brasil

Kristin Ebeling e Shari White são as fundadoras de um zine chamado “The Skate Witches”, que foi criado especificamente para as mulheres skatistas e para o público LGBTQIA+, sem identificação de gênero, para compartilhar a experiência da expressão coletiva criativa através do amor pelo skate.

O zine se modernizou, ganhou o aliado “internet” e as tecnologias para adiquirir imagens, cores e informações. E o melhor: feito manualmente, técnica que esta ganhando cada vez mais espaço nessa era plástica e rápida.

E a Vans junto com as meninas do The Skate Witches estão fazendo workshop para quem quer ingressar ou mostrar seu trabalho em formato de zine.

Da um check neste link para se inscreverem. Vai até o dia 05/09

Workshops de fotografia, vídeo e texto da Vans + The Skate Witches

WORKSHOP #1 – FOTOGRAFIA

Desafio Iniciante

Envie uma foto utilizando as dicas do workshop. Formatos de imagem aceitos: .jpeg, .png e .heic

Desafio Avançado

Envie sua melhor coleção de fotos para o zine. Incorpore estilos diferentes: retrato, lentes tele, fisheye e mais. As fotos devem ser enviadas em um único arquivo .zip com cinco fotos.

WORKSHOP #2 – VÍDEO

Envie um link de YouTube ou Vimeo ou link para download do vídeo.

WORKSHOP #3 – TEXTO

Utilize as dicas do workshop e envie um texto ou história sobre skate, a cena e sua vivência. Formatos de arquivos aceitos: .doc, .txt

Enviando seus conteúdos autorais até o dia 05/09/2020, eles poderão entrar no zine e no vídeo do projeto global. Todos também estarão concorrendo a 01 ano de produtos da Vans.

fontes:
Factor Zero Blog
Divas Skateras
CemporcentoSkate

Por: Amee Skate Arte

Slow Photography (fotografia lenta) é um termo que descreve uma tendência na fotografia e nas artes contemporâneas. Em resposta à difusão da fotografia digital e do instantâneo, artistas e fotógrafos retomam técnicas manuais e métodos de trabalho para trabalhar mais devagar, manualmente e em diálogo constante com os materiais físicos das imagens.

Estamos vendo muito esta re-conexão mais profunda e menos artificial com os trabalhos artísticos em diversas areas.

Em 2017, percebendo que havia um número alto de mulheres skatistas na skatepark Emeryville, no norte da Califórnia, Jenny Sampson pensou em fotografar algumas delas.

Logo, Jenny SAmppson descobriu a organização Skate Like a Girl e participou de um de seus eventos.
“Lá, descobri um mundo totalmente novo para mim”, diz Sampson.
“São muitas skatistas.”

Briana
Carly, Samantha, Tabitha and Encinitas

Três anos depois de muitas visitas em skateparks e eventos na Califórnia, Washington e Oregon, Sampson está lançando Skater Girls, um livro de retratos das skatistas mulheres e não binárias, feito com colódio de placa molhada, uma técnica inventada em 1851.
Essa solução é aplicada a uma fina placa de metal, em uma câmara escura portátil, que é carregada na câmera ainda molhada.
O processo requer longos tempos de exposição e as pessoas tem que se manterem perfeitamente imóveis.
E como não são produzidos a partir de um negativo, os retratos geram diferentes e estranhos efeitos resultando em imagens invertidas.

Leo Baker
Kandice
Kristen and Holly

“Há uma conexão que ocorre quando eu os fotografo usando o esse processo lento”, diz Sampson.
“A prática fotográfica exige paciência, interação e colaboração.
“E reflete a paisagem inclusiva em que essas fotografias são feitas.

“Em última análise, apesar do tema contemporâneo e dos detalhes modernos, vemos uma honestidade única e ficamos impressionados com a força e determinação dessxs skatistxs.
“Elas são decididas e corajosas, abertas, brincalhonas e solidárixs.
“Admiro a luta respeitosa e perspicaz dxs skatitxs por um lugar no mundo.”

Ohmala
Lucia

Em seu prefácio para as Skater Girls, a Dra. Becky Beal, professora de cinesiologia na California State University East Bay, diz: “A coleção de fotos de Jenny Sampson nos incentiva a reexaminar nossas suposições sobre quem é skatista, reconhecendo a variedade de gênero expressões que são cultivadas e articuladas por meio do skate.”
“Acho as fotos de Sampson poderosas em sua representação das mulheres como complexas e confiantes.
“E eu os acho alegres por causa das formas abrangentes de identidade do skatista apoiadas nessas comunidades.

Yulin

“A livro de Sampson celebra o skate e, ao mesmo tempo, desafia as narrativas tradicionais de ‘autenticidade’, ampliando a noção do que significa ser um skatista.”

Referencia: site BBC

Por : Amee Skate Arte

MARCOS VAN BASTEN ( @mkzsvan) é fotógrafo, vídeo maker e skatista local de Barbacena- MG. Suas fotos tem personalidade e retrata o dia a dia em preto e branco do seu local.
Para Amee Skate Arte é uma satisfação imensa poder colaborar com os artistas / fotógrafos da região mineira porque acreditamos na inclusão do skate & arte de diversas regiões e estilos. E o Esquilo ( Marcos) é um skatista com um estilo e personalidade única onde inspira e fomenta a arte em seu local.

Seu olhar minimalístico e sofisticado para a foto resultou na nova collab da Amee : um shape limpo e representativo.

Entrevista por João Lucas Teixeira (@joaolucasrt)
Música de @meninsk, Gabriel Menicucci – MG

Quem é o Marcos Van Basten?

Meu nome é Marcos Van, meu apelido é Esquilo, sou nascido aqui em Barbacena – MG, sou fotógrafo e videomaker, sou skatista há 15 anos e agora tive essa oportunidade de fazer o collab com a Amee.

Você é conhecido na internet por sua abordagem não-convencional do skate e utilizar a cidade forma diferente. O que te inspira nessa visão e utilização diferente da cidade?

Acho que por eu morar no interior  e em cidades maiores as coisas acontecerem mais rápido, a forma de registrar isso é produzir com o que tem, soltar material na nossa cidade e ir viajando pra fora, filmando, tirando foto com pessoas novas e ir fazendo essas conexões, sem deixar de produzir em casa. Por isso eu comecei a filmar bastante aqui, pois apesar de ser pequeno tem muita coisa pra produzir e a ideia é essa. Por menor que seja a cidade sempre tem algo pra produzir, sempre tem alguma construção nova, um pico novo, nunca não vai ter algo pra usar, a parada é enxergar o que vai ser produzido e correr atrás.

Wallride invertido – foto: João Lucas Teixeira

Nesses 15 anos de skate aqui em Barbacena você deve ter vivido muita coisa, a cidade se transformou, teve muita gente que andou de skate aqui e não anda mais, muita gente que continuou andando, como você vê essas mudanças no skate em Barbacena? Como foi andar de skate aqui?

Eu notei que de quando eu comecei a andar pra hoje em dia, eu me influenciei pelas pessoas que estavam próximas de mim andando de skate. Quando eu comecei foi por causa das pessoas que já andavam na época e em comparação com agora, tinha muito mais informação específica de skate disponível e muito mais gente começou a andar por isso. Quando eu comecei a ver os vídeos, as revistas foi através dessas pessoas que já andavam e me apresentaram. A partir daí eu fui tomando mais gosto em fazer, querendo estar junto fazendo acontecer aqui na cidade e a galera que foi chegando depois foi somando e mais pessoas começaram a produzir. Pela cidade ser do interior e ser uma cidade pequena,  sem estrutura/pista, se quisesse andar tinha que botar a mão na massa, construir os obstáculos. Por mais que tenha a pista da Rua Bahia (mini ramp tradicional de Barbacena) e o espaço no Colégio Salesiano (abre só aos finais de semana) quem quer produzir tem que colocar a cara na rua e fazer o corre de filmar, tirar uma foto por conta própria, sem esperar.

Wallride Nollie em Barbacena – Foto: João Lucas Teixeira

Barbacena já tinha produtores de conteúdo de skate quando você começou, João Paulo (JP Souza) é um exemplo, como foi ter essas pessoas produzindo ao seu lado, como você vê o trabalho dessas pessoas, na fotografia e no vídeo, e o que isso significou para sua produção hoje em dia?

O João Paulo foi primordial pro que eu carrego no meu trabalho hoje em dia né? Desde que eu comecei a andar, e eu comecei a andar de skate por causa dele, por ele ser a pessoa que estava mais perto de mim naquela época. Não só ele como o Moita (Marcelo Fidélis) e outras pessoas que já faziam vários trabalhos aqui, que foram de total influência pros dias de hoje. A vó do JP era vizinha da minha vó e como eu sempre via ele de skate, a vontade de estar andando junto com eles era muito grande, eu achava muito daora. Depois de um tempo ele começou a fotografar com a gente, ele clicava, mostrava as fotos no papel. Ficava muito daora, ver a sua foto assim, no papel, na sua mão. A partir daí começamos a filmar junto. A primeira câmera tinha uma telinha pequenininha, a gente fazia uns vídeos com ela, depois compramos uma parecida com a dele, filmamos ainda mais e depois ele comprou uma câmera pra fazer as fotos e começou a fotografar sério, e hoje virou o trabalho dele. Quando ele começou a fotografar skate, eu ainda não tinha acesso à câmera e a esse material. Depois de um tempo eu consegui comprar a minha primeira câmera e os amigos sempre influenciam né? A você achar uma linguagem para os seus dias. E até outras pessoas que gostam mesmo, que às vezes começam a fazer algo aqui em Barbacena por causa de alguma coisa que você fez anteriormente, tipo um vídeo por exemplo, que incentiva as pessoas a correrem atrás e fazerem também. Por ser uma cidade pequena, com mais pessoas fazendo coisas novas a cena vai expandindo, através de um trabalho vindo daqui, de pessoas que começaram a fazer por causa de outras.

Você acha que hoje, o seu trabalho de fotografia de rua, retratando pessoas em seus seres cotidianos é uma forma de reconhecer os esforços delas também, assim como foi no skate, demonstrar a luta diária dessas pessoas que você fotografa?

A fotografia de rua me ensinou a enxergar muita coisa nas pessoas, no dia-a-dia. Quando eu comecei a fotografar o cotidiano da rua, aqui e em outras cidades, você vê que tem uma rotina e por mais que você passe várias vezes no mesmo lugar, sempre tem algo diferente acontecendo. As pessoas estão sempre circulando, tudo acontece muito rápido e tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e depois que você passa a ver as coisas dessa forma, as pessoas e a cidade estão todas ligadas mas às vezes você passa perto de uma pessoa e eles nem notam que passou uma alguém sabe? Tem uma casa, um prédio, as pessoas que convivem ali estão ligadas, mas você não repara no todo, isso tudo encaixado. Eu comecei a observar fotografando, um ambiente, um fundo e uma pessoa junto com aquilo, tem todo um encaixe, tudo é único quando é clicado, uma foto, um vídeo, tudo em movimento. Eu comecei a me encantar cada vez mais sabe? Aqui é interior, então você vê muita gente do interior, vem pra cidade fazer alguma coisa com um visual bem interiorano, isso encaixado no meio urbano é muito representativo. Eu comecei a fazer retrato porque expressa quem as pessoas são, as características, os traços das pessoas do interior. Hoje em dia eu saio na rua e já vou observando e é um movimento natural, às vezes uma pessoa passa do meu lado e eu penso “nossa, queria muito fotografar essa pessoa!”. Eu posso não ter uma câmera mas eu tenho o celular, se eu sei que vai dar uma foto bonita eu já clico mesmo assim. Se fosse só uma foto do lugar solto é bonito, mas o todo chama muita mais atenção pra mim, assim como essa ligação das pessoas com a rua. Foi encantador aqui e todas as influências que eu tive nessa jornada. Depois de um tempo você percebe como essas influências de antigamente são presentes no dia-a-dia, pessoas que fotografam a rua, que fotografam skate, etc. Mesmo que você só foque em uma abordagem, você vê várias coisas diferentes em outras abordagens e consegue unir essas referências, trazer pros seus dias e ir adaptando as linguagens.

Senhor pelas ruas de Barbacena – foto: Marcos Van Basten

A foto que usou no seu modelo de shape lançado agora pela Amee é quase que um retrato, um momento que você capturou. Qual a história por trás desse momento?

A história dessa foto é a seguinte: a gente tava lá na Rua Bahia (praça com mini ramp tradicional de Barbacena) andando de skate e estava acontecendo um evento chamado CoreAção, com arte, música, dança e batalha de rima; como no bairro existem muitas crianças e elas gostam muito de skate, esse menino me pediu meu skate emprestado e ficou andando, de boa, gostando total assim. Ele tava adorando estar lá andando, no meio da galera do skate. Eu achei muito daora o jeito que ele tá assim sabe? Sentindo o skate, do jeito que a gente sente, de estar andando, se divertindo. Eu cliquei, revelei a foto e ela ficou guardada. Depois de um tempo a Amee me contatou e me ofereceu essa possibilidade de fazer um trabalho junto. A gente não tinha pensado em ser uma fotografia, tínhamos conversado pra ser um trampo a mão, depois de várias ideias a gente não tinha chegado em algo concreto. Aí eu pensei: porque que a gente não faz algo ligado à marca e a fotografia misturado? Pra encaixar o conceito da marca nessa foto. Eu apresentei a foto e a Tat (designer, dona da Amee) me deu a ideia de misturar o logo da marca (um coração estilizado) com a foto e ela fez desse jeito. Eu gostei muito, a ligação, o coração, o sentimento. Como se fosse a primeira vez que ele tivesse andando de skate e talvez tenha sido a primeira vez que ele andou num skate de verdade; e é isso sabe? Como o skate traz pras pessoas um sentimento, a diversão de estar ali andando, sem pensar em mais nada. Trouxe pro menino o sentimento de liberdade que o skate traz, de estar ali andando e pra mim de ter clicado o sentimento dele. Isso pra mim foi muito gratificante, agradeço a Tat, a Amee, de coração mesmo, de ter me dado a oportunidade de fazer essa somatória. Obrigado mesmo! <3

Foto original do shape lançada pela Amee Skate – foto: Marcos Van Basten

Depois de ter feito todos esses trabalhos, ter fotografado tanto tempo, estar andando de skate e trampando com skate com algo mais consolidado, o que você tá vendo pro futuro nessa caminhada?

Eu to vendo que hoje em dia tem muita gente que eu não sabia que colocou a cara na rua, que fez a gente conhecer seus trabalhos porque está fazendo o seu e fazendo chegar na gente. Tem muito skatista próximo da gente que é artista, que faz foto, que faz vídeo, se move sabe? Isso que eu quero ver cada vez mais, nossos amigos, várias pessoas se influenciando em arte, em fotografia, em música. Quero que peguem isso tudo e tragam para nós, pra conhecermos várias coisas novas, absorver e com isso as pessoas também vão se informando cada vez mais, se inspirando em outras. Pra nós é a melhor coisa, se influenciar nos nossos amigos, nas pessoas que tão fazendo. É isso que eu quero, quero ver arte, quero ver muita gente fazendo. Acho que pela informação estar chegando mais fácil pra gente, conseguimos buscar referências, pesquisar sobre as coisas; é só querer. Se você quiser que a arte esteja próxima de você, cê vai absorver da melhor forma. A arte é feita pra fazer bem pra gente, nossos dias, tudo. Por isso que eu digo que a fotografia, o vídeo, a música se ligados a tudo nos seus dias, você vai viver até enxergando de outra forma, vai andar da rua e talvez reparar em algo que nunca reparou. Algo que tava ali a tanto tempo e você nunca enxergou.

Arte pra ser vivida na rua! Malabarista em Barbacena-MG – foto: Marcos Van Basten

Pra finalizar, o que você gostaria de dizer pra pessoas que estão tomando esse rumo da arte, que estão descobrindo suas trajetórias?

Um conselho que eu daria é que todo mundo tem tudo pra fazer com o que tem nas mãos, equipamento é o de menos. Você consegue fazer uma fotografia, um vídeo com o seu celular por exemplo. O que não pode é desistir, tem que estar sempre se esforçando e querendo fazer. Se você acreditar em você, se você gosta daquilo que está fazendo e acredita que aquilo é bom, segue seu olhar naquilo e vai fazendo, fazendo, fazendo. Ouça o que as pessoas que são importantes pra você tem a dizer, você pode se basear nisso pra te ajudar a melhorar cada vez mais. Com isso cada dia mais você vai conseguindo se encaixar e achar sua linguagem. Não desista de você, acredite no seu trabalho e corre atrás! Se você acreditar em você, naturalmente seu trabalho vai chegar em outras pessoas e elas vão se identificar com seu trabalho. O mais importante não é o equipamento, mas o sentimento e a mensagem que você quer passar e isso que vai importar no final das contas.

Sérgio Santoro em seu nose manual clássico nas ruas do Rio de Janeiro – foto: Marcos Van Basten

Muito obrigado pela oportunidade de estar aqui, parabéns pelo seu trabalho, por estar produzindo foto e vídeo e apoiando as pessoas daqui de Barbacena e de outros lugares. Continue assim que vai dar tudo certo pra você!

Obrigado você por colar aqui, eu gostaria de agradecer a Amee, agradecer as marcas que acreditam e apostam nos skatistas e artistas, que valorizam o trabalho dessas pessoas. Que veem a importância disso pra marca e pro skate como um todo. Marcas que te dão espaço, pra te ouvir, assim como a Amee fez comigo. Eu tive a ideia junto com ela e o espaço que ela deu pra mim, pro Flávio Grão (outro artista convidado dessa série de shapes da marca), de acreditar sabe? Às vezes você tem a ideia, você quer passar, mas não tem quem te ouça, até você chegar nessas pessoas é muito difícil, pra gente que mora no interior sem você conhecer em pessoa. Eu só tenho a agradecer a Amee, essas marcas e pessoas que me deram essa oportunidade, com certeza vai ficar registrado pro resto da vida.

Marcos em sua casa – foto: João Lucas Teixeira
assinatura no shape da Amee
shape Amee

Shapes já disponíveis para compra – acesse : clique aqui

video por: João Lucas Texeira

AMEE.

shapes: www.ameeloja.com.br

Para a Amee sempre foi importante a inclusão do skate feminino em espaços somente ocupadas por homens. E a assinatura de um shape pro model era um desses espaços ( como outras várias) até então exclusivas por homens. Tanto para a Amee quanto para a skatista profissional Ligiane Xuxa foi um desafio e com certeza um marco importante para o skate feminino onde abriria a possibilidade e a certeza de que sim!  mulheres podem e devem ter produtos assinados pelas marcas!
A arte foi feita pela própria skatista que também é uma artista: pinta quadros, lixas e faz tatuagens tudo com autenticidade e estilo próprio.
É importante repostar a matéria sobre esse lançamento de 2014 já que muitos fragmentos desse evento foram perdidos com as atualizações dos sites e porque, também,  é um marco importante para a Amee.

Vídeo de como foi o processo para a Xuxa.

Acompanhe a matéria  feita  pelo site X Games,em 2014,  com as fotos do Uriel Basso.

Texto : X-Games / Uriel Basso

Os irmos Paulinho Barata e Fernando Araken parabenizando a amiga pelo lançamento do primeiro pro model.
Foto: Uriel Basso

Skatistas de várias regiões do Brasil que vieram para prestigiar o lançamento do pro model da Xuxa- Marta Linaldi, Estefania Lima, Pipa, Euli, Jaque Damasceno , Karin Lisboa, Suka, Aline Dantas…

Ter um nome assinado em um shape é um dos grandes sonhos de todo skatista que pretende seguir uma carreira. Muito mais que ter o nome estampado em um pedaço de madeira, este fato representa um marco na carreira de um skatista profissional. Em um pro model está agregado a valorização do skatista por todo o trajeto que ele percorreu até esta conquista. Mas isso, ainda é uma conquista para poucos no Brasil, principalmente para uma skatista profissional.

Puxando a responsabilidade e dando o devido valor a categoria a Amee Skt Art – marca feminina de skate idealizada pela skatista Tat Marques, desde 2009 – lança o 1º pro model de shape da skatista profissional Ligiane Xuxa, um dos maiores nomes do skate feminino nacional, escolhida em 2011 “Mellhor Skatista Feminino”, no Troféu CemporcentoSKATE.

Evelyn Laine, grande fomentadora do skate feminino no Brasil com a Ligiane Xuxa. Foto : Uriel Basso

 

Parceria de longa data entre skatistas profissional Junior Pig e Ligiane Xuxa. Foto Uriel Basso

“O conceito da Amee Skt Art é ser uma marca de skate. O estilo é skate feminino, mas somos skate. A marca já tem uma linha de shapes de qualidades e bem pensados, tanto para as mulheres como para os homens usarem. E a idéia de fazer um pro model da Xuxa é consequência da vontade que sempre tive de ver o skate feminino ser respeitado como skate. Eu ando de skate há muitos anos, já tive muitos patrocinadores, corri campeonatos, fiz parte de uma associação e sei o quanto é difícil para uma mulher se lançar como profissional, uma categoria que sempre lutamos para ter no feminino. Eu admiro o skate da Xuxa e respeito o trabalho e a atitude que ela teve em passar para profissional por estes motivos chamei ela para assinar o primeiro pro model da Amee. É a primeira vez que uma marca feminina lança um PRO Model de uma skatista profissinal.” – finaliza Tat Marques, proprietária da Amee Skt Art.

Tat Marques responsavel pela marca Amee Skate Arte e a skatista profissional Ligiane Xuxa. Foto Uriel

Para esta ocasião especial fizemos uma entrevista com Xuxa para saber mais detalhes sobre este marco no skate brasileiro.

O lançamento do pro model da Xuxa foi realizado no dia 19 de abril na Arena Clube do Skate (SP), que contou com uma exposição de arte e uma disputa de best trick feminino.

 

Jessika Barreto e Euli

Karen Feitosa- fs rock sllide . Foto Uriel

 

 

Acompanhe a entrevista:

Qual é a sensação de lançar seu primeiro pro model de shape por uma marca de uma outra skatista? 
É realmente surreal! Principalmente por conhecer a dona da marca, que é a Tat Marques e sua história com skate. E a melhor coisa é o fato de sermos skatistas mulheres que vivemos e respiramos basicamente os mesmos sonhos, e hoje poder ter esse sonho realizado é realmente indizível as emoções e a satisfação  que sentimos. Fora que é uma marca feminina, feita com um ótimo material, e esta ai no mercado para quebrar também esse tabu de que só porque é uma marca feminina homens não podem ou não se dão ao luxo de usar.

Mesmo com este grande reconhecimento sabemos que as condições para uma skatista poder viver do skate ainda é dificil não só no Brasil mas mundo afora. Qual é o motivo desta falta de investimento nas skatistas?

O motivo é a falta de pessoas visionárias. Digo isso as pessoas que estão no poder, que tem condições para valorizar essa categoria, mas infelizmente o recalque e a falta de atitude desses grandes donos de marcas fica a desejar…. é realmente lamentável porque hoje em dia temos uma legião de meninas e mulheres que dedicam sua vida no skate. É muito talento não sendo valorizado, mas essa história é milenar e assim como a Amee teve a atitude de valorizar e fazer acontecer, a esperança é a ultima que morre! Acredito que essa história milenar da desvalorização do skate feminino tanto aqui como no mundo a fora vai e já esta se transformando.

Qual a maior dificuldade de uma skatista conquistar este feito de ter um pro model no Brasil?
A maior dificuldade infelizmente é a falta de reconhecimento do mercado, pois hoje em dia no universo do skate feminino transbordam talentos.

Qual o conselho que você dá para outras meninas que pretendem se dedicar no skate e um dia conseguir lançar um pro model como você , além de conquistar o reconhecimento dentro deste meio tão concorrido?
É fazer o que ama com muito amor e alimentar todos os dias esse amor. Alimentar sua fé e alimentar o seu foco, o resto consequentemente vai conspirar e acontecer naturalmente. E aproveite sempre o hoje porque a vida a todo instante nos dá oportunidades, a morte não…viva!!

O que você achou da repercussão  do lançamento do seu pro model?
Foi muito foda! Quem estava presente no dia do lançamento sabe muito bem o significado deste “foda”.

Foram várias pessoas (evento realizado no Arena Clube do Skate) e foi ai que, não só eu quanto a Amee, recebemos um grande abraço do reconhecimento.

Acredito muito que esse reconhecimento vai ser maior do que já está sendo, pois para mim tudo que é plantado com amor, seus frutos, para os seres que realmente sabe apreciar será sim desejado, porque é só realmente provando a fruta para sentir a sua essência, seu sabor e sua qualidade.

Agradecimentos:
Gostaria de agradecer primeiramente a Tat Marques que acreditou, valorizou e concretizou um sonho de ter um pro model de shape com minha arte. Gostaria de agradecer também a todos envolvidos, amigas e amigos que sempre me fortaleceram! E um agradecimento especial ao Arena Skate Clube por ter apoiado o lançamento disponibilizando o local. Gratidão!

Shape pro model Ligiane Xuxa

Arte do lançamento do Pro Model Xuxa. Foto Suka

 

 

Por: Amee skate Arte
Fotos: Uriel Basso
Fonte entrevista: site X-games

Saiba mais sobre a Amee Skate Arte: aqui
Conheça os produtos da marca aqui

Conheço a Karen Jones há uns 16/17 anos e o que sempre me chamou à atenção foi a criatividade, multiatividades e o foco que tinha em seus diferentes objetivos. ⁣

Influência pesada na propagação do skate feminino com suas inúmeras aparições em revistas, tvs (já foi entrevistada pelo Jo Soares) e em propagandas. 1ª campeã mundial no vertical, representante brasileira do skate feminino em campeonatos dessa categoria, quando ainda estava em expansão.⁣

Lembro quando a vi acertar pela primeira vez um Bs Flip Indy, no half do Mineirinho (2005/2006), foi ali que eu tive certeza que o feminino no Brasil não ia ter limites. ⁣⁣
Lançou seu novo EP – O pequeno Excesso que você escuta clicando aqui.

Texto: Tat Marques
Para : Divas Skateras

 

Lançando seu EP


Acompanhem a entrevista da multi artera Karen Jones e suas artes atuais.⁣

DVS – O skate pra você é?⁣
Um caminho.⁣

DVS – Qual é a sua arte?⁣
Atualmente música.⁣

DVS – O que te fez seguir neste estilo?⁣
Faz muito sentido pra mim escrever e tocar. Desde que tive acesso a programas de gravação de áudio, fui fuçando, explorando sons, empilhando melodias. ⁣

DVS – Qual a relação do skate com a sua arte?⁣
A música faz parte do dia a dia, e escrever sobre também. Eu sofri muitas desilusões amorosas, poucas dentro do skate até. No fim das contas, acabo falando de sentimento. Acho que o skate influencia na maneira como vejo o mundo, as pessoas que tenho contato e como sou moldada por tudo isso também. Tive oportunidade de viajar, conhecer muitas culturas e acho que isso acaba refletindo no que produzo.⁣

DVS – De onde veio e vem a inspiração?⁣
Vou falar mais sobre a fase atual, senão vai virar um livro, rs. Acho que vem da simplicidade. De não complicar, de fazer “sem pensar”, sem deixar enroscar. Eu tenho tendência a ser perfeccionista e obsessiva. Então coisas minimalistas, descomplicadas e leves tem sido minha inspiração.⁣

 

Karen Jones- Foto @eduardobraz74

DVS – Você é multitalentosa: escreve, canta, toca, desenha, pinta, cozinha, é mãe e ainda anda de skate. Como consegue conciliar tudo isso?⁣
Não consigo né meu bem. Antes de ter filho eu tinha uma certa organização, além de privilégio. Eu tive muitas oportunidades que a maioria não teve. Sou branca, de uma família classe média e isso, por si só, já responde muitas coisas ao meu ver. Mas mesmo dentro desse contexto sempre usei meu tempo nas coisas que eu gostava, como desenho, música, escrita, nunca curti muito sair à noite por exemplo e sou um pouco anti-social. Aí acabava sobrando mais tempo para essas outras coisas, hehe. ⁣

Leia também a entrevista da artera – Vitoria Bortolo


DVS – Para você qual a importância da manifestação artística na vida e no skate?⁣
A arte expressa aquilo que a gente não pode explicar com o racional, com a mente, é um tipo de linguagem que para mim fica com 50% de responsabilidade de comunicaçã, hahaha. ⁣
É o que nos nutre de maneira profunda, nos conecta com o que não conseguimos expressar. No skate eu penso no skatista, que já é alguém que rompeu um pouco com coisas tradicionais. Pra esse cara (mina), faz muito mais sentido abraçar a arte junto com o skate, porque skate sem arte é tipo um corpo sem alma, uma carcaça sem vida.

 

 

DVS – Você tem muita experiência e vivência no skate feminino. E na sua opinião o que vc acha da atual cena do Skt feminino e o que falta para a profissionalização das Skatistas tanto em campeonatos como produtoras da própria cena ( Filmakers, produtoras, fotógrafas, e etc)?
Eu venho falando disso a algum tempo já toda vez que me perguntam o que falta pro skate feminino…e a primeira coisa na minha opinião é oportunidade abrangente. Abertura pras minas negras, pras mães, pras menos favorecidas financeiramente. A gente consegue melhorar isso com atitudes desde os campeonatos grandes não cobrarem uma fortuna pra inscrição, as mídias abrirem esse espaço pra contar as histórias, as marcas patrocinarem minas, e minas fora do padrão. Eu sempre tentei usar meus privilégios para conseguir coisas pro skate feminino, talvez não tenha sido o suficiente, eu entendo, mas vou continuar usando e não vou descansar até ver que melhorou o que as minas merecem..
Eu acho que aquelas que tão bem no game tem que usar a influência pra trazer o máximo de outras meninas com potencial pra perto, dentro do possível. Digo isso por constatação prática…desde a primeira capa da Tribo que fiquei enchendo o saco dos editores por meses até eles cederem a botar uma mina na capa, inúmeras skateparks que consegui mostrar o quão importante era uma sessão só de mina de graça ou pagando menos, até a igualdade da premiação em nível mundial vindo de um posicionamento apoiado por um grupo forte. Se nós não tivermos ali, ninguém vai fazer por nós…
Acho importante tb nos conectarmos de vdd e nos apoiarmos dentro do possível. É claro que as vezes vc nao se da bem com alguém e faz parte. Mas eu acredito que não adianta fazer discurso de inclusão e não ser acolhedora umas com as outras na prática. Eu mesma já fui muito mais fechada do que sou hoje em dia, e faz parte também do amadurecimento de cada uma se dar a chance de aprender. Hoje eu não consigo estar numa sessão com outras minas e não querer proporcionar um momento legal pra todo mundo. Então eu acho que passa por atitudes simples, o que tá ao seu alcance… desde um sorriso, ajudar com uma peça, somar nas idéias, exigir que a marca que te patrocina faça mais coisas relevantes pela categoria, contrate profissionais mulheres (principalmente negras), etc.. To falando isso e anotando aqui pra mim mesma tb pra jamais deixar passar!

 

DVS- um recado para as Skatistas?
Eu queria dar um recado não so pra skatistas mas pras minas que giram em torno do nosso universo. Primeiro é: pesquisem a história do skate, saibam quem veio antes de vocês e honrem essas mulheres. Todas foram importantes pra termos a liberdade que temos hoje. Não foi do dia pra noite e skate não começou em 2008!
Se vc é fotografa, video maker, COLE com as minas do skate! A gente PRECISA de foto, de material, e vc quer aprender a filmar/fotografar skate é bom pra todo mundo! Eu faço isso direto, mando inbox pra minas que eu curto o trampo e peço ow, vem me fotografar? Vamos trocar? Já aconteceu várias vezes deu levar até essas minas pra dentro de marcas, fazermos trabalhos juntos e ser incrível.
Criem, não tenham medo… façam sua arte. Desenho, colagem, rima, poesia, moda. E não tenham medo de errar, de ficar ruim, de ter que provar algo… E troquem muito, colaborem. O skate precisa de designers, estilistas, fotografas, DJS. Se juntem, façam eventos, zines, músicas, zueiras. Pra mim é indiscritível o poder que 2 ou 3 minas juntas fazendo uma parada verdadeira tem.
Esse é mais pra quem tá chegando agora..vcs vao ver muito skate na tv daqui pra frente e eu quero que vcs saibam que skate NÅO é só aquilo. Aquilo é uma parte, relevante, mas é pra uma meia dúzia… a realidade de 99% não é essa e ninguém é menos legal por isso, aliás, tem muita gente que nunca correu um campeonato na vida que entende muito mais o que é ser skatista do que quem tá aparentemente “bem sucedido”. Se mantenha fiel ao seu principio e toda vez que tiver insegura ou tiver duvida se lembre porque diabos foi que vc começou a andar.

Fotos: @eduardobraz74 / arquivo pessoal da karen Jones
Texto: Tat Marques ( @tat_marques )

#divasskateras #skatefeminino #skatefemininobrasil #skatebrasil #skatearte #arteras

 


 

Arteras é um espaço de entrevista com as skatistas ( mulheres ) que praticam a arte alem do skate. Artes como: pintura, design, música, edições em videos, dança, literatura, moda entre outras tantas formas de expressão artística no instagram do Divas Skateras feito pela skatista e fundadora da Amee Skate Arte Tat Marques no intuito de informar e inspirar as pessoas com as diversidades dentro da cultura do skate .

Divas Skateras é um projeto idealizado pela skatista de Cuiabá Estefânia Lima, desde 2006, para promover e unir as skatistas de diferentes lugares do Brasil. Produziu grandes eventos como o encontro de skate feminino simultâneo no Brasil ” Divas Session” e o vídeo ” We Can Do It ” só com mulheres.

Pin It