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Skate, arte e moda: por que essas três linguagens andam juntas?

Skate, arte e moda streetwear fazem parte de uma mesma história: a história da cultura urbana. Muito antes de o streetwear chegar às grandes vitrines e o skate conquistar novos espaços, essas linguagens já se encontravam nas ruas, nas pistas, nos muros, na música e na maneira de se vestir.

 

 

Mais do que uma tendência de moda, o streetwear ligado ao skate nasceu da necessidade de expressão, identidade e pertencimento. Ao longo das décadas, skatistas, artistas, músicos, designers e marcas independentes ajudaram a construir uma estética que continua influenciando a moda contemporânea.

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Mas como skate, arte, música, grafite e moda streetwear ficaram tão conectados?

A cultura do skate vai muito além das manobras

Para entender essa relação, é preciso olhar para o skate como uma manifestação cultural.

O skate transformou a maneira como muitas pessoas enxergam a cidade. Calçadas, escadas, corrimãos, bancos e praças deixaram de ser apenas elementos urbanos e passaram a fazer parte de uma nova forma de expressão.

O skatista observa o espaço de maneira diferente. Encontra possibilidades de movimento, cria novas linhas e transforma obstáculos em desafios.

Essa liberdade de interpretação aproxima o skate da arte.

Assim como um artista utiliza diferentes materiais para transformar uma ideia em imagem, o skatista utiliza o próprio corpo e o ambiente urbano para criar movimento.

Por isso, o skate sempre esteve relacionado a outras manifestações culturais, como música, fotografia, cinema, grafite, design e moda.

Skate e arte: quando o shape vira uma tela

Um dos exemplos mais evidentes dessa relação está nos próprios shapes.

Ao longo da história do skate, os shapes passaram a receber ilustrações, fotografias, personagens, colagens, símbolos e tipografias. O espaço que inicialmente tinha uma função esportiva também se tornou uma superfície para expressão artística.

shape Amee com a arte do Grão. Shape que ganhou premio de melhor desenho em shape no STU Awards

A arte aplicada ao skate ajuda a construir a identidade de uma marca, de um artista ou de uma determinada geração.

Por isso, um shape pode representar muito mais do que um equipamento.

Ele pode carregar uma história, uma referência cultural ou uma ideia.

shape Amee com arte da artista e skatista mirim – Alice Marques de apenas 11 anos

O mesmo acontece com camisetas, moletons, bonés, pôsteres e outros produtos ligados ao streetwear. A imagem passa a fazer parte da identidade de quem usa.

A influência do grafite e da arte urbana

A relação entre skate e grafite também ajudou a formar a estética da cultura urbana.

As ruas se tornaram espaços de experimentação para diferentes artistas. Letras, personagens, símbolos, cores e intervenções visuais passaram a dividir espaço com pistas de skate, eventos, lojas e outros pontos de encontro da cultura urbana.

Essa proximidade criou uma linguagem visual própria.

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O grafite influenciou estampas e identidades de marcas, enquanto o universo do skate também ofereceu espaço para artistas apresentarem seus trabalhos.

Até hoje, essa troca aparece em camisetas streetwear, shapes de skate, murais, cartazes, vídeos e projetos independentes.

A música também faz parte dessa história

Não existe cultura skate sem música.

Ao longo das diferentes gerações, estilos como punk, hardcore, hip-hop, rap e outros gêneros musicais estiveram presentes na vida de muitos skatistas.

Charlie Brown Jr marcou a cultura do skate nos anos 2000. ainda é relevante.

A música aparece nos vídeos de skate, nas sessões, nos eventos e nos encontros da comunidade.

E essa influência não acontece apenas no som.

A música também influencia comportamento, estética, roupas, linguagem e referências visuais.

É por isso que, quando falamos sobre cultura skate e streetwear, estamos falando de um universo muito maior do que simplesmente roupas esportivas.

Como o skate influenciou a moda streetwear?

A roupa sempre teve uma função prática para quem anda de skate.

Camisetas, calças mais largas, moletons e tênis precisavam oferecer liberdade de movimento, conforto e resistência para acompanhar a rotina dos skatistas.

Com o tempo, essas características funcionais passaram a representar também uma identidade.

A moda streetwear incorporou elementos da cultura skate e passou a dialogar com diferentes grupos urbanos.

Pharrell Williams usa o skate como uma de suas maiores fontes de inspiração e o transformou em uma assinatura estética central em suas coleções de moda, inclusive na Louis Vuitton

O que antes era visto principalmente nas pistas e nas ruas começou a aparecer em lojas, editoriais de moda e coleções de grandes marcas.

Hoje, peças como camiseta oversized, calça baggy, cargo, moletom e tênis fazem parte do universo streetwear e podem ser usadas tanto no skate quanto no cotidiano.

Essa transformação mostra como a cultura das ruas consegue influenciar a moda.

Streetwear não é apenas uma tendência

Hoje é comum encontrar o termo “streetwear” associado a tendências, lançamentos e grandes marcas.

Mas sua história é muito mais profunda.

O streetwear está relacionado a diferentes movimentos culturais que nasceram ou ganharam força nas ruas, incluindo skate, hip-hop, música, arte urbana e outras manifestações independentes.

Por isso, falar de streetwear é também falar sobre identidade, comportamento, criatividade e cultura.

A roupa deixa de ser apenas uma necessidade e passa a comunicar quem somos, aquilo que gostamos e os grupos culturais com os quais nos identificamos.

O papel das marcas independentes na cultura skate

As marcas independentes têm um papel importante nessa construção.

Uma marca de skate ou streetwear pode produzir roupas e shapes, mas também pode criar oportunidades para artistas, apoiar skatistas, participar de eventos e contribuir para a movimentação da cena local.

Por trás de um produto com uma arte autoral existe todo um processo criativo envolvendo ilustração, design, fotografia, produção, comunicação e desenvolvimento de produto.

E quando uma marca apoia um evento de skate, por exemplo, não está movimentando apenas os atletas.

Também existe trabalho para fotógrafos, videomakers, designers, artistas, produtores, lojas e diversos profissionais que fazem parte dessa cadeia.

É por isso que fortalecer marcas e iniciativas ligadas à cultura também ajuda a manter esse ecossistema ativo.

O streetwear brasileiro e a cultura local

No Brasil, essa mistura ganhou características próprias.

Skatistas, artistas e marcas brasileiras adaptaram referências internacionais às realidades das nossas cidades, criando novas linguagens visuais e novas formas de expressão.

A cultura urbana brasileira é marcada pela diversidade e pela criatividade.

Algumas das principais marcas de skate desde dos anos 80

 

Do skate ao grafite, da música à moda, diferentes referências se cruzam e ajudam a construir uma identidade própria.

Nesse cenário, marcas autorais podem ter um papel importante ao desenvolver produtos que não apenas acompanham tendências, mas também contam histórias relacionadas à cultura local.

Por que skate, arte e moda continuam conectados?

Porque os três têm algo fundamental em comum: a expressão individual.

O skate transforma o movimento em linguagem.

A arte transforma ideias em imagens.

A moda transforma identidade em aparência.

Quando essas três linguagens se encontram, surge uma cultura que vai muito além da estética.

É uma forma de ocupar a cidade, criar conexões, fazer parte de uma familia, compartilhar referências e construir identidade.

E talvez seja justamente por isso que, mesmo com tantas mudanças na moda e no comportamento, skate, arte e streetwear continuam caminhando juntos.

A cultura continua em movimento

Novas gerações chegam trazendo novas referências, tecnologias, estilos musicais e formas de produzir arte.

Ao mesmo tempo, elementos históricos do skate continuam sendo revisitados.

Essa mistura entre passado e presente faz parte da própria essência da cultura urbana.

Para quem vive o skate, a arte e a moda, não se trata apenas de acompanhar uma tendência.

Trata-se de fazer parte de uma história que continua sendo construída todos os dias.

Na AMEE Skate Arte, acreditamos que skate, arte e moda fazem parte da mesma linguagem: uma linguagem de criatividade, identidade, liberdade e cultura urbana.

E enquanto houver pessoas criando, andando de skate, desenhando, fotografando, fazendo música e ocupando as ruas, essa história continuará em movimento.


AMEE Skate Arte

Skate, arte e streetwear autoral.

Conheça as criações da AMEE e acompanhe nosso conteúdo sobre skate, arte, moda urbana e cultura streetwear.

Conheço a Karen Jones há uns 16/17 anos e o que sempre me chamou à atenção foi a criatividade, multiatividades e o foco que tinha em seus diferentes objetivos. ⁣
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Influência pesada na propagação do skate feminino com suas inúmeras aparições em revistas, tvs (já foi entrevistada pelo Jo Soares) e em propagandas. 1ª campeã mundial no vertical, representante brasileira do skate feminino em campeonatos dessa categoria, quando ainda estava em expansão.⁣
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Lembro quando a vi acertar pela primeira vez um Bs Flip Indy, no half do Mineirinho (2005/2006), foi ali que eu tive certeza que o feminino no Brasil não ia ter limites. ⁣⁣
Lançou seu novo EP – O pequeno Excesso que você escuta clicando aqui.

Texto: Tat Marques
Para : Divas Skateras

 

Lançando seu EP

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Acompanhem a entrevista da multi artera Karen Jones e suas artes atuais.⁣
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DVS – O skate pra você é?⁣
Um caminho.⁣
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DVS – Qual é a sua arte?⁣
Atualmente música.⁣

DVS – O que te fez seguir neste estilo?⁣
Faz muito sentido pra mim escrever e tocar. Desde que tive acesso a programas de gravação de áudio, fui fuçando, explorando sons, empilhando melodias. ⁣
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DVS – Qual a relação do skate com a sua arte?⁣
A música faz parte do dia a dia, e escrever sobre também. Eu sofri muitas desilusões amorosas, poucas dentro do skate até. No fim das contas, acabo falando de sentimento. Acho que o skate influencia na maneira como vejo o mundo, as pessoas que tenho contato e como sou moldada por tudo isso também. Tive oportunidade de viajar, conhecer muitas culturas e acho que isso acaba refletindo no que produzo.⁣
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DVS – De onde veio e vem a inspiração?⁣
Vou falar mais sobre a fase atual, senão vai virar um livro, rs. Acho que vem da simplicidade. De não complicar, de fazer “sem pensar”, sem deixar enroscar. Eu tenho tendência a ser perfeccionista e obsessiva. Então coisas minimalistas, descomplicadas e leves tem sido minha inspiração.⁣

 

Karen Jones- Foto @eduardobraz74

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DVS – Você é multitalentosa: escreve, canta, toca, desenha, pinta, cozinha, é mãe e ainda anda de skate. Como consegue conciliar tudo isso?⁣
Não consigo né meu bem. Antes de ter filho eu tinha uma certa organização, além de privilégio. Eu tive muitas oportunidades que a maioria não teve. Sou branca, de uma família classe média e isso, por si só, já responde muitas coisas ao meu ver. Mas mesmo dentro desse contexto sempre usei meu tempo nas coisas que eu gostava, como desenho, música, escrita, nunca curti muito sair à noite por exemplo e sou um pouco anti-social. Aí acabava sobrando mais tempo para essas outras coisas, hehe. ⁣

Leia também a entrevista da artera – Vitoria Bortolo

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DVS – Para você qual a importância da manifestação artística na vida e no skate?⁣
A arte expressa aquilo que a gente não pode explicar com o racional, com a mente, é um tipo de linguagem que para mim fica com 50% de responsabilidade de comunicaçã, hahaha. ⁣
É o que nos nutre de maneira profunda, nos conecta com o que não conseguimos expressar. No skate eu penso no skatista, que já é alguém que rompeu um pouco com coisas tradicionais. Pra esse cara (mina), faz muito mais sentido abraçar a arte junto com o skate, porque skate sem arte é tipo um corpo sem alma, uma carcaça sem vida.

 

 

DVS – Você tem muita experiência e vivência no skate feminino. E na sua opinião o que vc acha da atual cena do Skt feminino e o que falta para a profissionalização das Skatistas tanto em campeonatos como produtoras da própria cena ( Filmakers, produtoras, fotógrafas, e etc)?
Eu venho falando disso a algum tempo já toda vez que me perguntam o que falta pro skate feminino…e a primeira coisa na minha opinião é oportunidade abrangente. Abertura pras minas negras, pras mães, pras menos favorecidas financeiramente. A gente consegue melhorar isso com atitudes desde os campeonatos grandes não cobrarem uma fortuna pra inscrição, as mídias abrirem esse espaço pra contar as histórias, as marcas patrocinarem minas, e minas fora do padrão. Eu sempre tentei usar meus privilégios para conseguir coisas pro skate feminino, talvez não tenha sido o suficiente, eu entendo, mas vou continuar usando e não vou descansar até ver que melhorou o que as minas merecem..
Eu acho que aquelas que tão bem no game tem que usar a influência pra trazer o máximo de outras meninas com potencial pra perto, dentro do possível. Digo isso por constatação prática…desde a primeira capa da Tribo que fiquei enchendo o saco dos editores por meses até eles cederem a botar uma mina na capa, inúmeras skateparks que consegui mostrar o quão importante era uma sessão só de mina de graça ou pagando menos, até a igualdade da premiação em nível mundial vindo de um posicionamento apoiado por um grupo forte. Se nós não tivermos ali, ninguém vai fazer por nós…
Acho importante tb nos conectarmos de vdd e nos apoiarmos dentro do possível. É claro que as vezes vc nao se da bem com alguém e faz parte. Mas eu acredito que não adianta fazer discurso de inclusão e não ser acolhedora umas com as outras na prática. Eu mesma já fui muito mais fechada do que sou hoje em dia, e faz parte também do amadurecimento de cada uma se dar a chance de aprender. Hoje eu não consigo estar numa sessão com outras minas e não querer proporcionar um momento legal pra todo mundo. Então eu acho que passa por atitudes simples, o que tá ao seu alcance… desde um sorriso, ajudar com uma peça, somar nas idéias, exigir que a marca que te patrocina faça mais coisas relevantes pela categoria, contrate profissionais mulheres (principalmente negras), etc.. To falando isso e anotando aqui pra mim mesma tb pra jamais deixar passar!

 

DVS- um recado para as Skatistas?
Eu queria dar um recado não so pra skatistas mas pras minas que giram em torno do nosso universo. Primeiro é: pesquisem a história do skate, saibam quem veio antes de vocês e honrem essas mulheres. Todas foram importantes pra termos a liberdade que temos hoje. Não foi do dia pra noite e skate não começou em 2008!
Se vc é fotografa, video maker, COLE com as minas do skate! A gente PRECISA de foto, de material, e vc quer aprender a filmar/fotografar skate é bom pra todo mundo! Eu faço isso direto, mando inbox pra minas que eu curto o trampo e peço ow, vem me fotografar? Vamos trocar? Já aconteceu várias vezes deu levar até essas minas pra dentro de marcas, fazermos trabalhos juntos e ser incrível.
Criem, não tenham medo… façam sua arte. Desenho, colagem, rima, poesia, moda. E não tenham medo de errar, de ficar ruim, de ter que provar algo… E troquem muito, colaborem. O skate precisa de designers, estilistas, fotografas, DJS. Se juntem, façam eventos, zines, músicas, zueiras. Pra mim é indiscritível o poder que 2 ou 3 minas juntas fazendo uma parada verdadeira tem.
Esse é mais pra quem tá chegando agora..vcs vao ver muito skate na tv daqui pra frente e eu quero que vcs saibam que skate NÅO é só aquilo. Aquilo é uma parte, relevante, mas é pra uma meia dúzia… a realidade de 99% não é essa e ninguém é menos legal por isso, aliás, tem muita gente que nunca correu um campeonato na vida que entende muito mais o que é ser skatista do que quem tá aparentemente “bem sucedido”. Se mantenha fiel ao seu principio e toda vez que tiver insegura ou tiver duvida se lembre porque diabos foi que vc começou a andar.

Fotos: @eduardobraz74 / arquivo pessoal da karen Jones
Texto: Tat Marques ( @tat_marques )

#divasskateras #skatefeminino #skatefemininobrasil #skatebrasil #skatearte #arteras

 


 

Arteras é um espaço de entrevista com as skatistas ( mulheres ) que praticam a arte alem do skate. Artes como: pintura, design, música, edições em videos, dança, literatura, moda entre outras tantas formas de expressão artística no instagram do Divas Skateras feito pela skatista e fundadora da Amee Skate Arte Tat Marques no intuito de informar e inspirar as pessoas com as diversidades dentro da cultura do skate .

Divas Skateras é um projeto idealizado pela skatista de Cuiabá Estefânia Lima, desde 2006, para promover e unir as skatistas de diferentes lugares do Brasil. Produziu grandes eventos como o encontro de skate feminino simultâneo no Brasil ” Divas Session” e o vídeo ” We Can Do It ” só com mulheres.

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